Várias metodologias educacionais foram desenvolvidas no trajeto de formação da humanidade, porém existe uma pedagogia em particular que nos chama atenção pela simplicidade e profundidade: a pedagogia de Hugo de São Vitor, descrita em seu opúsculo sobre o modo de aprender e meditar*.
De acordo com Hugo a HUMILDADE** é o princípio do aprendizado, as três seguintes, de modo principal, dizem respeito ao estudante: A primeira é que não tenha como vil nenhuma ciência e nenhuma escritura. A segunda é que não se envergonhe de aprender de ninguém. A terceira é que, quando tiver alcançado a ciência, não despreze os demais. Três coisas são necessárias ao estudante: a natureza, o exercício e a disciplina. Na NATUREZA, que facilmente perceba o que foi ouvido e firmemente retenha o percebido. No EXERCÍCIO, cultive o senso natural pelo trabalho e diligência. Na DISCIPLINA, que vivendo louvavelmente, componha os costumes com a ciência.
Os que se dedicam ao estudo devem primar simultâneamente pelo ENGENHO e pela MEMÓRIA, ambos os quais em todo estudo estão de tal modo unidos entre si que, faltando um, o outro não poderá conduzir ninguém à perfeição, em vão se fortificam os tesouros quando não se tem o que neles guardar. Duas coisas exercitam o engenho: a leitura e a meditação. Na LEITURA, mediante regras e preceitos, somos instruídos pelas coisas que estão escritas. Há três gêneros de leitura: a do docente, a do discípulo e a do que examina por si mesmo. Dizemos, de fato: “Leio o livro para o discípulo”, “leio o livro pelo mestre”, ou simplesmente “leio o livro”. A MEDITAÇÃO é uma cogitação frequente com conselho, que investiga prudentemente a causa e a origem, o modo e a utilidade de cada coisa.
Três são as visões da alma racional: o PENSAMENTO, a meditação e a contemplação. O pensamento ocorre quando a mente é tocada transitoriamente pela noção das coisas, quando a própria coisa se apresenta subitamente à alma pela sua imagem, seja entrando pelo sentido, seja surgindo da memória. A meditação é um assíduo e sagaz reconduzir do pensamento em que nos esforçamos por explicar algo obscuro ou procuramos penetrar no que está oculto. A CONTEMPLAÇÃO é uma visão livre e perspicaz da alma de coisas amplamente esparsas.
Sobre as obrigações da ELOQUÊNCIA, quem se esforça em falar, em persuadir o que é bom, não despreze nenhuma destas coisas: ensine, deleite e submeta, orando e agindo para que seja ouvido inteligentemente, de boa vontade e obedientemente. Se assim o fizer, ainda que o assentimento do ouvinte não o siga, se o fizer apropriada e convenientemente, não sem mérito poderá ser dito eloqüente.
| “Será eloqüente aquele que puder
dizer o pequeno com humildade, o moderado com moderação, o grande com elevação”.*** |
Referências: *Opúsculo sobre o modo de aprender e meditar (Hugo de São Vitor) / ** A Prática da Humildade (Leão XIII) / ***Santo Agostinho


