Educação

Reunião com Dra. Inez Borges sobre o Plano Nacional de Educação

Observações do debate promovido pelo Ver. Douglas Medeiros sobre PNE no plenarinho da Câmara de Jundiaí 

Expositora – Dra Inez A. Borges – http://lattes.cnpq.br/7420057722559322

Transparência

A exposição da doutora Inez, profissional com vasta experiência na área de educação, sobre a conferência nacional de educação (CNE) teve o mérito de trazer transparência a um tema de grande impacto mas de difícil acompanhamento por parte da população, não tanto por causa dos assuntos, mas por causa da forma abstrata como o tema é abordado, além da complexidade jurídica implicada na cascata de leis. Problema semelhante acontece com o tema da reforma tributária, mas, neste caso, a complexidade do assunto é exponencialmente maior. 

Pluralidade

A exposição da palestrante foi no sentido de apontar uma questão de ordem, qual seja, o problema na forma como a CNE foi conduzida em janeiro deste ano: o problema da falta de efetiva pluralidade na discussão das diretrizes que vão nortear o ministério da educação na elaboração do plano de educação a ser enviado ao Congresso. O pluralismo é um dos fundamentos da república segundo o artigo primeiro da constituição; no entanto, os debates da CNE, de modo geral, não abriram espaço para a voz divergente. Um exemplo notório é a proposta de inserção nas diretrizes de elaboração do PNE do combate ideológico à agricultura empresarial, a despropositada e já arcaica narrativa de “combate ao agronegócio”, postura contraditória de “reclamar por pão fechando padarias”, como diz Ortega y Gasset na Rebelião das Massas. Outro exemplo de proposta descabida é a perseguição às famílias que praticam educação domiciliar ou homeschooling, como se esse grupo minoritário de famílias fosse uma ameaça a…não se sabe dizer! A educação familiar é um assunto novo no país, mas que veio para ficar e que pode, portanto, oxigenar os debates escolares brasileiros. 

Impacto da centralização no município

Além da promoção do pensamento único, outro problema da discussão sobre o PNE é um aspecto que se fez presente na elaboração da reforma tributária, a saber, o problema da centralização da tomada de decisões no âmbito federal. A perda de autonomia do município tanto na área tributária como na área escolar são dois problemas a serem mensurados pelos gestores municipais.

Gramática

Outro aspecto discutido pela palestrante foi o menosprezo contemporâneo pelo ensino de gramática que predominou nas falas da conferência de janeiro. Os alunos brasileiros têm apresentado um persistente problema no âmbito da leitura e da escrita, um drama antigo e que já se encontra num estado crônico. Indicadores internacionais atestam o problema, mas qualquer professor de bairro pode atestar esse problema nacional crônico de leitura. No entanto, o pensamento majoritário nas discussões sobre o PNE demonstra um desinteresse pelo problema da alfabetização formal, como se fosse um assunto técnico de somenos importância. O fato é que sem uma adequada formação da linguagem, a capacidade de pensar e de se exprimir fica comprometida. E quem não sabe conversar terá que usar a força para convencer. Ou seja, sem qualquer exagero, podemos concluir que a falta de ensino da gramática é um problema de segurança pública… Pois a incapacidade de usar a linguagem instaura uma situação humana que desemboca em violência e criminalidade.

https://www.jundiai.sp.leg.br/imprensa/noticias/reuniao-discutiu-o-plano-nacional-de-educacao

 

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