O descobrimento do Brasil, no ano de 1500, foi um dos maiores empreendimentos missionários que o mundo já pode vivenciar. Portugal desenvolveu tecnologia marítima através da escola de navegadores em Sagres.
Além da conquista territorial, Portugal tinha o objetivo missionário de expansão da fé católica. Apesar de existirem várias controvérsias, não podemos negar as evidências relatadas na certidão de nascimento do Brasil. A carta de Pero Vaz de Caminha relata claramente esse objetivo quando escreveu: “Ali com todos nós rezou a missa, a qual foi dita pelo padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes, que todos eram ali. A qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção…” E quando mencionou as riquezas da terra reconheceu: “Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente… “
No campo do ensino e da evangelização, a Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola, ficou conhecida como JESUÍTAS. Eles chegaram no Brasil em 1549 e realizaram sua evangelização fundando escolas no Brasil, o colégio de Salvador da Bahia deu origem a Província Brasileira da Companhia de Jesus.
Vários sacerdotes vieram para o Brasil na armada de Tomé de Sousa, chefiados por Manuel da Nóbrega, e eram eles os Padres Leonardo Nunes, João de Azpilcueta Navarro, Vicente Rodrigues, Antonio Pires e o Irmão Diogo Jácome. O primeiro Bispo Dom Pero Fernandes Sardinha chegou em 1552, através de relatos controversos, afirmando que o Bispo teria sido devorado por índios canibais e em 1553 desembarcou no Brasil, José de Anchieta.
São José de Anchieta abriu os caminhos do sertão, aprendendo a língua tupi, catequizou e ensinou latim aos índios. Escreveu a primeira gramática sobre uma língua do tronco tupi: a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada na Costa do Brasil“.
Considerado o “Apóstolo do Brasil”, José de Anchieta foi beatificado, em 22 de junho de 1980, pelo Papa João Paulo II; e, no dia 3 de abril de 2014, foi declarado santo por intermédio de um decreto assinado pelo Papa Francisco.
Também em 1553, os jesuítas do Brasil passaram a ser organizados enquanto Província da Companhia, independente da Província Jesuítica de Portugal, foi a primeira província jesuítica a ser estabelecida no continente americano. Cinco décadas mais tarde já tinham colégios pelo litoral, de Santa Catarina ao Ceará. Quando foram expulsos do Brasil pelo Marquês de Pombal em 1759, eram mais de 670 instituições por todo o país, distribuídas em aldeias, missões, colégios e seminários. A saída dos Jesuítas representou um grande retrocesso na educação em nosso país, para compararmos, Portugal teve o mesmo número de alunos que existiam no Brasil, apenas 200 anos depois.
Os Jesuítas desenvolveram um sistema internacional de ensino, organizado pelo documento RATIO STUDIORUM, que tinha o objetivo de instruir rapidamente todo o Jesuíta docente sobre a natureza, a extensão e as obrigações do seu cargo e unificar o procedimento pedagógico dos jesuítas diante da explosão do número de colégios confiados à Companhia de Jesus como base de uma expansão em sua totalidade missionária. Constituiu-se numa sistematização da pedagogia jesuítica contendo 467 regras, cobrindo todas as atividades dos agentes diretamente ligados ao ensino e orientava que o professor nunca se afastasse do estilo filosófico de Aristóteles, e da teologia de Santo Tomás de Aquino.


