Havia, antes de 1300, o que temos chamado de Educação segundo a Filosofia Perene. Era uma educação profundamente baseada em valores evangélicos, e da qual encontramos muitos textos da época que refletem esse modo de compreender a educação.
A partir de 1300, quando fundaram as universidades, foi separada a espiritualidade do conhecimento; pouco a pouco implementaram os ideais das escolas de retórica do mundo pagão no sistema de ensino. Antes a educação era voltada para alcançar níveis profundos de espiritualidade, e nessa fase a educação foi voltada para alcançar um alto nível de desempenho verbal e, com isto, acabou surgindo a educação clássica.
Com o advento da sociedade industrial, no século XIX, e com a multiplicação das empresas, o sistema financeiro começou a pressionar para que a educação aperfeiçoasse o sistema de produção que, em última análise, era o que produzia lucro, e, então, trocaram a formação clássica pela formação profissional.
Na virada dos anos 1900, as grandes fundações norte-americanas começaram a ser fundadas e conseguiram eliminar completamente a formação clássica, que era baseada no estudo profundo inicial de alguns poucos assuntos básicos, como a matemática, as ciências puras, o grego e o latim e a língua pátria.
Na metade do século XX, as pessoas não eram mais capazes de interpretar a política, a história, os acontecimentos e a sua própria nação. Antes, quando defrontados com alguma coisa que fosse um absurdo lógico, eram pessoas que tinham uma estrutura profissional para não aceitar tal tipo de coisa. Eram pessoas coerentes, apesar de não manifestar na vida, como um todo, o mesmo nível de inteligência que manifestavam dentro do seu campo de trabalho; não eram também pessoas que mudavam a todo momento de valores e de convicções como se não houvesse uma lógica nas coisas.
Nessa época, Bertrand Russel, filósofo britânico ateu, disse: ” façamos com que as nações abdiquem da sua soberania usando métodos tradicionais; precisamos de métodos mais radicais; precisamos controlar o comportamento das pessoas; precisamos fazer com que todos se tornem absolutamente dóceis ao sistema e ,para isso, precisamos de um sistema escolar onde seja possível que ,desde cedo, ensinemos às pessoas que a neve é preta e que, quando estas pessoas saírem para as ruas durante o inverno, elas realmente acreditem nisso…”
A esse tipo de controle psicológico, Pascal Bernardin, em Maquiavel Pedagogo, chama dissonância cognitiva, que consiste em “martelar” a mesma tecla sobre algo para alguém, de forma que essa pessoa passe a modificar seu comportamento e seus valores sobre.
Para isso acontecer, seria necessário produzir pessoas que não tinham nenhuma convicção, pessoas que poderiam mudar de opinião em qualquer sentido, mas que ainda assim teriam que ser capazes de trabalhar, de fazer tarefas, porque senão a economia se paralisaria.
Hoje, parece que estamos vivendo dentro de um aquário, como “peixes” que não conseguem perceber mais a água poluída ao seu redor, pois passou a ser o seu habitat natural. Devido a essa realidade, precisamos reconhecer a necessidade de retomar; resgatar a verdadeira finalidade da educação, que tem a missão de conduzir o ser humano para contemplação da Verdade. Uma educação clássica católica poderia ajudar muito nossas crianças a crescer em sabedoria e graça diante de Deus e fora do “aquário”.


